
É, cheguei hoje à conclusão de que não fui a escolhida.
Não sou a contemplada da vez, e sei que não vou ser.
É muito triste ver meu marido sonhando com um filhinho, colocando a mão na minha barriga depois de fazer amor comigo como se estivesse pedindo a Deus que seja dessa vez...
Falando pra mim nome de bebês... Falando do nosso filho como se ele já existisse.
E eu por outro lado, querendo mais que tudo realizar o sonho dele, e o meu, imaginando a barriga crescendo, o bebe mexendo.
Mas, dentro de mim sinto que não posso que sou seca...
Que a culpa é minha, que eu amo ele o bastante para amarrá-lo a um sonho que não se realizará.
Vendo minhas amigas, gravidíssimas, corujas com seus filhotes, tentando não me magoar...
Fazer exames, simpatias, novenas, promessas, e ver a menstruação chegar bem no dia certo, me fazendo doer o coração, a barriga, a alma... e ver o olhar triste dele pra mim.
A cada mês, a cada tentativa, a cada decepção eu morro um pouco.
São quatros anos, de planos, de sonhos, de tentativas frustradas, pedindo pra natureza que deixe de ser tão injusta e que me dê a benção que a eu tanto espero. Mas, ela, prefere dar esse dom a algumas fulanas por ai que tem coração de pedra e abandonam seus filhos.
Estou pensando, criando coragem para dizer que ele está livre pra procurar alguém que dê esse presente a ele.
Que o que eu queria mesmo era ficar com ele... que por mais que seja lindo adotar uma criança, eu queria uma minha, só minha, de mim, sentir e criar laços a partir de mim.
Coragem, eu preciso pra avisar a dona cegonha que não precisa mais procurar no Google mapa meu endereço.
Avisar a Deus que ele não precisa mais me escutar pedindo um bebezinho.
Coragem de olhar as mães na rua e não sentir essa inveja horrorosa que me come por dentro.
Coragem de voltar a conviver com minhas amigas mamães sem ter de disfarçar minha tristeza, por mais que esteja feliz por elas.
Eu quero desistir, e to tentando reunir forças pra isso para poder viver em paz comigo e se seguir minha vida sem culpa de ter ferido alguém. De ter ferido e desiludido meu grande amor.