Depois de tantos sonhos, de tanta luta, de tanta alegria, de tantos altos e baixos.... o casamento.... depois de 7 anos sonhando com esse dia, preparando os detalhes.... 5 meses depois veio a separação.
Foram 8 anos juntos, 7 dividindo o teto, os medos, as alegrias, as vitórias, a cama, o sofá.
E tudo pro ralo.
Enfim, não foi uma briga feia, foram anos de mágoas guardadas por ele, que preferia não falar, não conversar, e eu falando demais, errando sem saber...
Foram anos me dedicando ao homem mais maravilhoso, mais orgulhoso do mundo e mais rancoroso.
Foram anos lutando com ele, batalhando, sonhando, dividindo, me anulando, respeitando...
Mas, nada disso fez sentido quando finalmente ele juntou a mala de mágoas que ele carregou esses anos todos e se foi.
Não era a primeira briga, a primeira discussão....
Não foi a primeira separação, a primeira e até então última, durou uma semana, o amor e o perdão falou mais alto.
Mas, dessa vez sabia que ele tinha algo a mais, um motivo, mesmo que pra mim pequeno, sabia que estava cansado.
Mas, ele não sabia que as minhas últimas noites estavam sobrecarregadas de preocupações, sobrecarregadas de frustrações e medos, e para não incomodá-lo e preferia dormir.
Ele não sabia que eu também estava cansada.
Ele não sabia dos meus medos.
Ele não entendeu.
Mas, ele se foi.
Nos primeiros dias levantei a cabeça, orgulhosa, e dizia a mim mesma que isso era uma fase, que eu superaria.
Tinha um pouco de vergonha, de ter deixado o marido ir embora, de ter sido abandonada, de ser rotulada.
Mantive a pose e a força durante um mês, engolindo o choro.
No primeiro mes fiquei mais leve (10 kilos a menos), me sentia mais livre (sem tanta tarefa na casa), queria sair, ver o mundo que durante 8 anos via somente ao lado dele.
Ah! o gostinho da liberdade.
Ilusão.... Não tinha coragem de sair, ficava esperando ele ligar, queria ir atrás, e fui, fui atrás da pessoa que era a última que eu tinha que pedir colo, que me disse que eu era louca, que tinha jogado meu casamento no lixo, isso em meio a elogios, de que eu era honesta, trabalhadora e boa dona de casa.
Enfim....
Tentei, só não fui atrás do meu interesse, esperando a mágoa passar, fiquei na minha.
Mas, a saudade foi chegando, a tristeza, o vazio, a dor da perda, a dor da culpa, reconheci meus erros também, mas isso não valia mais nada.
Ligava e pedia pra ele olhar pra trás, relevar, perdoar, me dar uma chance.
Deus!
Como dói entrar em casa e não sentir mais a presença dele.
Deitar na cama e não sentir o cheiro dele.
Olhar o vazio da toalha, o vazio da sapateira, a arrumação perfeita da casa...
Fica o vazio, a falta de chão, a rotina perdida.
Durante 8 anos, eu tinha a minha vida, minha rotina, meu marido, meu amigo, meu companheiro, de banho, de cama, de fim de semana, meu consolador, meu irmão, aquele que bagunçava a casa, aquele que roubava o controle, que pedia pra cortar as unhas, que me abraçava no meio da noite e que me chamava de encrenqueira.
Perdi o companheiro de feira, de mercado, de dança.
Foi tudo tão rápido, tão instantâneo que até agora não consigo aceitar.
Agora não faço mais janta... não tem mais vontade de comprar nada de gostoso pra alguém que ia chegar e querer ver o jogo que ia passar na tv....
Não tem mais com quem conversar...
Hoje somente procuro a força em Deus, não tenho mais vontades, as vontades de Deus são os meus planos.
Hoje eu digo, somente Deus está comandando minha vida, ele me tira as dores, mas, minha alma me lembra da tristeza... Ai peço a Deus para me tirar dessa dor, desse momento.
As pessoas demoram a compreender, porque acham que é fácil.
Mas, somente quem passa por isso sabe o quanto é difícil superar, dividir o que estava unido a tanto tempo.
Nesse tempo, descobri meus erros, minhas forças, mas, descobri também a fraqueza....
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